Duas notinhas bestas sobre o confinamento

Primeira. Sim, o feijão começou a ser preparado às 7:30 (tava de molho desde ontem, como dizem que convém) e ficou pronto ainda agora. Um vidrinho de molho de pimenta malagueta sem graça foi aberto, vertido em outro frasco, amassado um pouco para soltar as sementes e apurar o gosto, pondo-se nele mais vinagre de maçã, outro tiquinho de açúcar, cinco colheres de azeite extravirgem e três dentes de alho que não constavam dos ingredientes da receita original. Além disso também ficou pronta uma farofinha de manteiga e alho e tudo será acompanhado pelo magnífico strogonoff e o arroz soltinho de ontem, sendo que uma das duas latas de cerveja acabamos de abrir, dando início aos trabalhos às… putz, 10:30 da manhã!, mas felizes porque o almoço já está pronto e intrigados com esse relógio que resolveu passar as horas devagar demais.

Segunda. Ontem de manhã minha mulher quis sair para fazer as compras, considerando que só eu vinha fazendo isso e ela precisava sair de casa um tiquinho que fosse, a despeito da insegurança que dá. Depois de comprar num hortifruti um pouco mais distante de casa algumas verduras, legumes e uma marca de iogurte que só vende lá (abre parêntese: uma delícia, mas custa caro pra car%&*# — R$ 8,99 –, por isso é só um potinho, um litro de leite e fazemos iogurte de noite, aquela receita de praxe, enrolamos o “tapaué” em dois panos de prato, deixamos dormir no forno e de manhã temos mais ou menos um litro de iogurte lindo a ser posto imediatamente na geladeira pra terminar de apurar. Recomendo pra cacete! Fecha parêntese), ela resolveu comprar mais algumas coisas no supermercado da mesma rua, alguns metros adiante. Na hora de providenciar algum doce pra gente optou pelo leite condensado, aquele coringão de mil e uma utilidades, e dirigiu-se ao final do corredor onde ele costuma ficar. Foi justo lá que de repente, do nada, duas moças, uma meio fortinha, de roupa de ginástica, e outra mais mirrada, de bermuda e camiseta, começaram a discutir, ouvindo-se no meio dos gritos “… que o leite condensado é meu!” — ao que parece uma queria duas latas, outra quatro e deu pra entender que na prateleira não havia as seis que satisfariam a todo mundo — e as duas se atracaram, foram ao chão e, na contramão do que se esperaria, coube à mirradinha ficar por cima da fortinha e dar com uma das latas de leite condensado na testa da outra, sangue jorrando e tudo e a minha companheira, que costuma ser boa de resolver brigas, desta vez optou por assistir de camarote, que de vez em quando ela merece aliviar as tensões, filha do bom Deus que é. Se bem que quando viu a latada na testa gritou “lata não, é covardia!”, enquanto uns funcionários parrudos e mascarados chegavam pra resolver a contenda, concordando com ela que a latada fora apelação, ela acrescentando que tinha de ter sido no braço, aí sim era justo, mas ficando um pouco amuada por não ter conseguido pegar uma latinha sequer do tal leite de mil e uma utilidades, mesmo feliz por ter uma história nonsense pra contar assim que chegasse em casa.

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