Enquanto os candidatos ao prêmio se esmeram, alguns incautos preocupam

Quem lê blog faz tempo certamente conhece a impagável série As alegrias que o Google me dá, do blogueiro iconoclasta (aposentado) Rafael Galvão. E eu mesmo homenageei esse fio do cabrunco do tanto de buscas esquisitas que uma pá de gente fez no google e que foram encaminhadas a este blog, embora saiba que o resultado nunca chegaria perto do dele. Quem sabe não vale a pena instituir um prêmio “alegrias do Rafael Galvão”?

Mas enquanto alguém não cria esse prêmio e eu nem faço uma nova lista com as bizarrices que o google traz para cá, reitero que a googlada campeã continua levando ao post que descreve a Profissão 5198-05, Profissional do sexo. (Por alguma razão que me escapa, os dados que retirei do sítio do Ministério do Trabalho e Emprego não estão mais lá, constando apenas uma versão sumária. Vá entender!) O interessante é a forma como a busca é feita. Alguns digitam o código da profissão, enquanto outros pedem a CBO de: garota de programa, garoto de programa, acompanhante, prostituta, puta, meretriz, quenga, messalina, michê e hoje, pela primeira vez, rapariga. Há também os que querem saber se a profissão é regulamentada, se assina carteira de trabalho e quais os seus direitos, mas batem com a cara na porta porque o post não trata do assunto. Enfim, a curiosidade é vasta em torno da difícil vida fácil.

Mas se de vez em quando dá para rir, em outras ocasiões aparecem algumas visitas realmente preocupantes. Hoje, por exemplo, alguém digitou: bati em minha mulher

[clique na imagem para aumentar]

Com uma pesquisa dessas não me interessa fazer piada. Começo perguntando-me o que alguém que afirma ter feito isso espera que o google lhe diga. E torço muito para que a motivação dessa busca seja um imenso sentimento de culpa, que ele siga ativo e que sirva de motivação para procurar ajuda realmente efetiva: um psicólogo, o CAPS de sua cidade (sim, a busca foi em português e veio daqui do Brasil) e afins. Aqui neste blog só encontrará mesmo a reportagem que traduzi sobre uma experiência com homens agressores na França, que foi justamente o que chamou a atenção desse que digitou dizendo-se agressor de sua mulher. Pois agora sou eu a responder: releia aquele post, inspire-se e peça ajuda efetiva e não mais ao google, antes que repita o que fez. E se for o caso, só volte aqui depois disso.

É uma ordem.

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3 respostas para Enquanto os candidatos ao prêmio se esmeram, alguns incautos preocupam

  1. Pingback: O Pensador Selvagem

  2. Monsores disse:

    Sempre lembro do sujeito que veio aqui por procurar “melhor forma de cometer suicídio” às sete e pouco da manhã, como se realmente quisesse fazê-lo. Desse tenho pena.

    Já desse outro não.

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    • Ricardo C. disse:

      @Monsores, esse daí me preocupa mais pelo dano que já causou e pelo que ainda pode causar. O fato de buscar informações em torno do que fez sugere algum sentimento de culpa (mas pode não ser), o que traria consigo uma potencial gota transformação, de mudança. Essa é a minha aposta, ou no mínimo o investimento que fiz nesse singelo post. (Não tenho como ir além disso.)

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