Projeto de lei

A partir do meio-dia de 03-10-2011, aquele que em alguma queixa, comentário, crítica, desabafo e afins lançar mão das expressões “politicamente correto” e/ou “politicamente incorreto” terá o seu acesso à internet bloqueado por seis meses e deverá ficar no canto da sala, ajoelhado no milho, durante duas horas seguidas. (Maiores de 65 anos sofrerão penas alternativas.)

Ficam excluídos destas medidas apenas aqueles que fizerem análises mais aprofundadas sobre o uso dessas expressões.

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5 respostas para Projeto de lei

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  5. Piada sem graça

    A propaganda com Gisele Bündchen, o personagem machista da novela global e as desventuras do tal Rafinha Bastos motivaram um clima de patrulhamento que precisa ser questionado enquanto resta algo a debater. A cada batalha moralista a esquerda se distancia do espírito libertário e tolerante que a diferenciava dos adversários. E permite que tais valores sejam apropriados pelo conservadorismo decadente, transformando-o em repositório de boas plataformas negligenciadas. Aconteceu com a descriminalização da maconha, por exemplo, e agora acontece com a liberdade de expressão.

    Concordo que há limites para certas manifestações públicas, e sou defensor antigo de uma legislação específica voltada à imprensa. Mas quem estabelece limites no entretenimento, na farsa ou na ficção? O Tribunal dos Valores Éticos e Sociais? A Liga das Senhoras Ridentes analisará trocadilhos e anedotas? Qualquer dignidade que se julgar desrespeitada poderá vetar a provocação alheia? E se as vítimas de gangues psicóticas tentarem proibir “Laranja Mecânica”? Vamos amaldiçoar os velhos traquinas de Mario Monicelli ou os idiotas de Lars von Trier porque ridicularizam incautos e doentes? A animação “Family guy” será metida no índex degenerado? Há diferença entre vetar um filme sérvio ruim ou “Je Vous Salue, Marie”?

    Essas questões incômodas evidenciam o perigo de se tolerar precedentes regulatórios na atividade criativa. Se os paralelos soam exagerados é porque os vilões momentâneos pertencem à chamada cultura de massas, tida como descartável, indigna de compartilhar as prerrogativas republicanas daqueles que a menosprezam. Os sábios jamais permitiriam bedelhos nas suas diversões “cultas”, mas não hesitam em determinar o que as audiências ignorantes podem assistir. A pedagogia do bom gosto camufla uma visão pejorativa do que é popular (nas muitas acepções possíveis), adquirindo um viés social pernicioso e, no limite, autodestrutivo.

    Assusta ler setores da blogosfera recorrendo à bula politicamente correta para justificar seus arroubos censórios. Mas há lógica no raciocínio. O que motiva essa fantasia eugênica, moldada em padrões medíocres de conduta, é a anulação da individualidade e a conseqüente asfixia das divergências. O êxtase coletivista do pensamento único busca formar rebanhos homogêneos e dóceis, que aplaudem qualquer mistificação despótica para evitar a pecha de reacionário ou preconceituoso. Nem sempre funciona, e é por isso que ainda apostamos na democracia.

    http://guilhermescalzilli.blogspot.com/

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