12 respostas para Marchas contra a corrupção: sendo um pouco contra (as marchas, as críticas às marchas e as minhas próprias críticas)

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  4. Diego Viana disse:

    Uma dúvida que não sai da minha cabeça: como interpretar o fato de que em São Paulo, epicentro da oposição (e onde o Estadão, por exemplo, promoveu a marcha como se fosse um evento na sede do jornal), e no Rio, onde o pessoal adora uma passeata, e em outras tantas cidades do Brasil, a marcha tenha sido minúscula e irrelevante, mas justamente em Brasília, em Brasília, minha gente, onde uma parcela enorme da população é assalariada dos três poderes que justamente a passeata queria criticar, compareceu tanta gente? Pra mim, isso é um paradoxo. Esse é o verdadeiro lide.

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    • Ricardo C. disse:

      Foi o que comentei, Diego, em Brasília a absolvição da filha do Roriz (que não nomeei diretamente, mas estava implícito) e, por incrível que pareça, contando com um histórico razoável de mobilizações, a marcha de Brasília me pareceu um pouco diferente das outras, mais parecida com outras marchas (vadias, maconha, estado laico etc.) que sugeririam maior politização nos moldes do que o Rodrigo falou. Não chegam mesmo a particularizar seu mote, mas como foi dito por alguém que esteve por lá, havia algumas bandeiras específicas interessantes: contra o voto distrital, contra o voto secreto em processos de cassação, pela descriminalização da maconha etc. Foram bandeiras que não se afinavam com o rótulo “TFP/Senhoras de Santana com apoio das Famílias Midiáticas” grudado com facilidade em marchas como a de São Paulo, por exemplo.
      Enfim, o que quero dizer com isso é que há mais a se extrair dessas marchas do que o rótulo de alienados, ingênuos e/ou de direita, cínicos e falso moralistas pequeno-burgueses atribuídos indiscriminadamente a todos seus participantes. Considero tudo o que o Rodrigo e o Bruno disseram sobre a crítica moral e a transformação do protesto em aporia, mas ainda assim vejo a perspectiva de exercício nesses protestos, um exercício que se contrapõe aos habituais protestos de sofá tão na moda hoje em dia.

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  5. Causas

    Depois da febre nacional de farisaísmo que tentou derrubar o governo Lula, fica mesmo difícil apoiar cegamente uma campanha genérica anticorrupção. No país da cultura pirata, dos sonegadores impunes, do trânsito demencial e das licitações arrumadas, ao discurso ético não bastam apenas uma pauta legítima e o pretexto bem-intencionado da militância virtual. É fácil discutir a moral alheia quando selecionamos nossos alvos ou usamos a indignação para ocultar a própria consciência pesada. E é mais cômodo ainda falar de uma ética impessoal, que repudia todo o sistema e por isso não atinge ninguém.

    O ambiente reivindicatório que se criou no governo Dilma, embora aproveite os jargões da escandalolatria dos outros anos, possui um componente novo: o foco deixa a esfera política e passa à administrativa. Com o fracasso da estratégia de pintar o então presidente e seus aliados como vates da safadeza nacional, a idéia agora é enfraquecer a imagem de eficácia técnica do governo, reduzindo sua agenda a uma faxina desgastante e interminável. Daqui a vinte anos, o Judiciário putrefeito inocentará o último indiciado, haverá um ato no vão livre do Masp e todos continuarão suas vidas.

    Seria justo imputar a setores da própria esquerda a obrigação de morder esse pequi, pois eles ajudaram a colhê-lo quando embarcaram nas pautas da imprensa oposicionista – como se a canseira jornalística da era Lula jamais tivesse ocorrido, como se esses veículos agissem apenas pelo melhor espírito republicano. Já que os novos caras-pintadas consideram absurdo associá-los às elites golpistas, proponho um desafio pedagógico e um sacrifício purificador. O desafio: marcar uma passeata para dia 15 de novembro, defendendo plataformas específicas (fim do voto secreto nos Legislativos, por exemplo) e expondo faixas com menções aos escândalos da hegemonia demotucana em São Paulo. O sacrifício: insistir nessa briga até que o Estadão, a Folha e o Globo contribuam para divulgá-la como fizeram até o momento.

    http://www.guilherme.scalzilli.nom.br/

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  6. Ricardo C. disse:

    Caro Guilherme, as críticas que fazes no teu texto são claras e alinhadas ao que vem sendo dito acertadamente por todos, mas por um lado, não vejo analisar as particularidades desta ou daquela marcha nem tampouco o contexto internacional de reivindicações e seu traço “virótico”; e por outro, tampouco o vejo contemplar um potencial pedagógico para os mais jovens que agora ensaiam, ainda que sem foco, seus primeiros passos na arte de protestar politicamente.
    A dureza das críticas, por mais que sua direção se mostre acertada, aplana a iniciativa de alguns que por lá estiveram. E que fique claro que eu não era um deles, já que o razoável número de cabelos brancos que tenho na cabeça certamente denotariam uma face neoudenista que não me cabe.
    Prazer tê-lo por aqui

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  7. Ricardo, muito bom você ter compilado o nosso diálogo e postado aqui no blog. Isso evita que ele se perca entre as muitas coisas boas que passam pelo Facebook e ficam fechadas lá dentro. Registrado aqui, podemos tomar o que escrevemos para fazer justamente o que você diz em seu comentário final: aguardar os próximos anos. Eu não discordo de você. É preciso tornar mais precisa a análise do presente. Críticas como as que defendi acima talvez sirvam para isso: quem sãos (ou somos) os que marcham? Se há algum paralelo com a TFP ou o maio de 1968 (veja só a que dois extremos nós fomos! rss), o que isso significa exatamente? O diálogo continua, porque a História também. Abraço, meu caro.

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    • Ricardo C. disse:

      @Rodrigo Cássio, a conversa lá foi muito boa, por isso em tempos de tamanha (e tão fácil) dispersão, me pareceu interessante concentrá-la num canto público onde mais gente tivesse acesso a ela. Quanto ao seu comentário, concordo plenamente. Sem ir tão longe no tempo — aliás, seu destaque sobre como usamos numa mesma análise os extremos TFP e maio de 68 foi ótimo —, recordo do impeachment do Collor, referência para muitos de nós e parâmetro para os mais novos sobre manifestações de massa (os um pouco mais velhos como eu tem as Diretas Já como primeira grande referência). Pergunto: os mesmos que se sentem participantes da derrubada do Collor fizeram o quê depois disso? De que maneira participaram das atividades político-sociais do país? Se politizaram (no melhor sentido da palavra) mais? Ou foi um evento pontual e depois foi só cantar “ainda somos os mesmo e vivemos como nossos pais”? Enfim, os extremos das análises são meramente ferramentas para pensar a complexidade com que funcionamos, mas não parâmetros sólidos para definir os atuais atores e suas ações.
      Grande abraço, bom te ver por aqui

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