Tenho

Dor nas costas.

Grãos de um bom café pedindo pra serem moídos. (Pedindo? Como assim? Sempre achei as conversas sobre objetos que têm razão de ser meio esquisitas, como se eles fossem atingir a suprema felicidade no momento em que o seu propósito/destino se cumprisse. Ô mania besta que temos de antropomorfizar o mundo, não?)

Um livro imenso pra ler e resenhar.

Preguiça (de dois dos três itens anteriores e talvez de um ou outro que virá abaixo).

Uma irmã caçula, na Itália há vinte anos, que permanece extra-comunitária por convicção política, mesmo tendo direito a ser italiana. (Orgulho sem tamanho dela, queria ser assim também.)

Pacientes impacientes.

Pacientes pacientes.

Paciência.

Cinco posts pela metade, um deles sobre o filme Cópia Fiel, de que estava gostando bastante, mas ficou velho antes de nascer.

Um vizinho que ontem reviu ininterruptamente a cena de um filme mexicano, o som nas alturas. Interfonei pedindo que baixasse um pouco o volume da tevê e fui logo atendido. Interfonei de novo, agradecendo, e ofereci-me para ajudá-lo a traduzir, legendar ou o que quer que ele estivesse fazendo, já que vivi no México, meu espanhol tem sotaque mexicano e blábláblá. Respondeu com um singelo “valeu”, que traduzi como “já abaixei o volume, quer mais o quê?”.

Contatos online que gostaria de conhecer offline.

Clareza de como a frase anterior é uma espécie de necessidade que preciso realizar.

Ressoando, o sabor doce da voz ao telefone de uma amiga com quem não falava há exatos vinte e um anos.

Gastura de cada “digamos assim” usado sem cabimento.

Que atender ao interfone.

Que clicar logo no ícone Publish.

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9 respostas para Tenho

  1. Olhar Saturno disse:

    Ai, que delícia de post!
    Ando curtindo horrores essa atenção às miudezas da vida que nos dão tanto prazer (curtindo é definitivamente uma palavra que não se encaixa no meu agora, ando mesmo é estressada, agitada e outras adas mais impertinentes)… Os grãos, ai que lindos! Meu sofá também anda pedindo que eu sossegue nele… dia desses me entregarei aos seus desejos. 😉

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    • Ricardo C. disse:

      Dou enorme importância aos nadas, Olhar Saturno, embora seja uma importância sem qualquer tom solene. São eles que constituem a maior parte do cotidiano da gente, por isso dou-lhes tanto crédito.

      Abs

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  2. El Torero disse:

    Eu louco por um café ao menos decente, fadado a um solúvel intragável até a noite, e tu me fala em bons grãos…
    Quanto a dor nas costas, resolvi a minha com alongamento, cuidado na postura e travesseiro entre as pernas. 😉

    Baita abraço.

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    • Ricardo C. disse:

      Chega uma certa idade em que esses recursos se tornam obrigatórios, Torero, mas nem sempre adiantam. Quanto ao café, faça o favor de jogar esse solúvel fora, não vale nem quando a síndrome de abstinência bate recordes.

      Abração pra você tamém

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  3. Bruno Cava disse:

    Sofro do mesmo mal. Só de pensar na quantidade de textos inacabados e descartados dá vontade de chorar. Abraço.

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    • Ricardo C. disse:

      E quando se trata de textos concebidos para a internet a coisa só piora, né? Essa velocidade que torna tudo datado em horas, quando não minutos, às vezes exaspera, mas fazer o que, a gente gosta de flanar, conversar e deixar algumas garatujas nesta tal de internet.
      Grande abraço

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  4. Bruno Cava disse:

    Pois é, Ricardo, é preciso dizer tudo e dizer rápido e dizê-lo bem e às últimas consequências.

    Alguns blogues menos progre… opa, jornalísticos, resgatamos o sentido da parresia, não é mesmo? Um parrhesiastes como o Idelber Avelar, por exemplo.

    Muito atual, acredito, pra compreender o processo de escrita nos blogues parresísticos: http://foucault.info/documents/parrhesia/

    Abraço.

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  5. Ricardo,

    Depois de meses de ausência por absoluta incapacidade de conciliar afazeres e prazeres (como acessar este blog), retorno ao convívio para lançar comentário neste post anterior, mas que me instigou a comparar nossas vivências.

    Temos realidades parecidas e outras, por inversão, similares. Achei interessante.

    TENHO

    Dor nas costas;

    Sempre um café à mão (que o leva à boca);

    Vários livros que me espreitam, alguns com olhares de cansaço, outros com ódio pela demora;

    Preguiça e, talvez, com a agravante do cansaço acumulado pela idade;

    Uma irmã (do meio) que tem cidadania italiana, esteve lá dezenas de vezes e volta e meia menciona a vontade de ir e não voltar;

    Pacientes impacientes;

    Mais pacientes impacientes;

    Paciência exacerbada (alguns me chamam de monge);

    Nenhum post iniciado no blog;

    Vizinha no andar de cima (moro no penúltimo andar de um prédio enorme) que insiste em arrastar móveis à noite ou pular corda pela manhã, com os ruídos de praxe; para honrar minha paciência, nunca reclamei a ela diretamente;

    Contatos online que certamente, um dia, conhecerei offline;

    Convicção de clareza semelhante;

    Uma amiga muito doce, gentil e indispensável que todos os dias telefona e me adiciona vigor com sua radiante presença;

    Que voltar aos afazeres, apesar da forte gripe que insiste em marcar sua presença há vários dias.

    Saudações.

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