Só um tiquinho de futebol e mudo logo de assunto

Mas futebol pelas beiradas, por aquilo que ele desperta/evoca/afeta em/a nós, como não poderia deixar de ser cá neste canto. Então, pontifico.

No que diz respeito a nós, brasileiros, tristeza em Copas do Mundo, tristeza mesmo, só duas:

1ª: 1950, o “Maracanazo“, impossível de não reconhecer, mesmo aos que como eu sequer eram nascidos.

2ª: 1982, a “Tragédia do Sarriá“, quando por primeira vez vi gente andando pelas ruas feito zumbi, entendendo “no tapa” que a existência é mesmo absurda e que não resta dúvidas sobre o sem-sentido do universo.

De resto, seja o fiasco de 74; dizer-se “campeão moral” em 78; a crucificação do galinho pelo pênalti perdido em 86; pulemos 90, por favor; o apagão na final de 98; o meião de Roberto Carlos de 2006; e, finalmente, este dunguismo de 2010, é tudo café pequeno, chateação e desconforto, mas nada que chegue a tirar o sono, exceto o dos moleques que estão em sua primeira ou segunda Copa, dos quais me compadeço.

Bom, vale dizer que quem quiser análises futebolísticas de qualidade tem inúmeras opções na blogosfera, certamente não neste blog. Por sinal, meus amigos Luiz e Darwinista fazem a sua parte no Torcedor Obsessivo Compulsivo , que por sinal também me agrada pelo título — vícios do ofício, é claro.

E agora, voltemos a nossa programação normal.

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13 respostas para Só um tiquinho de futebol e mudo logo de assunto

  1. Marcus disse:

    A tragédia do Sarriá, que eu vivi, machucou muito porque era um belíssimo time, jogando de um jeito que embeleza as nossas vidas.

    Eu fiquei putíssimo com o 0 x 0 em 1994, e não achei nada demais a vitória. Mas teria chorado se aquela linda seleção de 2002 tivesse perdido.

    A gente fica triste quando o melhor perde.

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    • Ricardo C. disse:

      Assino embaixo do teu comentário inteiro, Marcus. Aquele 0 x 0 de 94, o primeiro em finais de Copa do Mundo onde o herói foi o goleiro, não me deu nenhuma alegria. Claro que gostei muito de virarmos tetra-campeões, não desdenho do título. Mas tirando um ou outro jogo, o que ficou na memória foi aquilo, além do mala do Galvão se esgoelando e aquele papel ridículo do time entrando de mãozinhas dadas no campo, como se fossem crianças do maternal.

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  2. Nat disse:

    Eu tou feliz… Primeirona no bolão depois que Holanda e Uruguai passaram…

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  3. Pingback: Ricardo C.

  4. Monsores disse:

    Ora, ora, até num post seu de futebol eu aprendo. Não conhecia as alcunhas dessas tristezas brasileiras. Sou mesmo um inculto.

    Talvez se eu tivesse vivido esse tempo, visto todas essa coisas, só talvez – quem sabe houvesse em mim algum entusiasmo com futebol.

    Maybe next life.

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    • Ricardo C. disse:

      Não vejo problema algum no seu desinteresse por futebol, André. Se visse, teria que incluir-me nesse time, já que sei o que acontece nesse tema, mas não acompanho, não torço para time nenhum e no máximo torço para o Brasil e contra a Argentina em Copas do Mundo, sempre sem descabelar-me ou pular de deslavada alegria. Cada um com o seu jeito, não é?

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  5. Alba disse:

    Post enxuto, com tudo que é preciso saber sobre as Copas. A de 50, em que também não era nascida, virou uma espécie de trauma nacional, cantado em prosa e verso. Lembro de uma saborosa crônica do Veríssimo, onde um cara que esteve perdido na Amazônia (!) por 20 anos e está realmente muito frágil. A principal preocupação da equipe médica, que instrui os visitantes, é NÃO contar a final de 50, para que ele não entrasse em estado catatônico. 🙂

    Aliás, meu pai me conta que chorou, como todos os que estavam no Maracanã. Vi um documentário a respeito e é realmente impressionante a comoção das gentes!

    Já a de 82, voce a descreve primorosamente. Injustiça cósmica com a melhor equipe em campo, mesmo que eu nada entenda de futebol. E de lá pra cá, porque neste país, inguém escapa deste assunto, o futebol, parece, só fez empobrecer. Mas como acredito em dialética, quem sabe o último perrengue ajude a melhorar os padrões e, sim, a ousadia, que se vem evitando faz tempo segundo meu parquissimo conhecimento?

    Ânfãm, junto com o Sergio Leo, só posso dizer: voltamos, pelamordezeus à vida normal

    Beijo

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  6. Grijó disse:

    Gostei da postagem, mas faço uma ressalva quanto ao uso da expressão “fiasco” de 1974. Na verdade, o Brasil jogou suas cartas contra o melhor time de futebol dos últimos 40 anos, que foi a seleção da Holanda, o chamado “carrossel”. Perdeu até com certa dignidade.

    Bem fez Pelé em recusar-se a jogar a copa pós-70.
    Abraço.

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    • Ricardo C. disse:

      Sim, Grijó, reconheço, embora aquela seleção brasileira não fosse mais a mesma. O fiasco é por conta da expectativa criada graças aos remanescentes da copa anterior, além de em função da derrota para a Polônia, pouco digna se comparada à contra a Holanda.

      Abraço pra você também, caro vizinho

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    • Ricardo C. disse:

      Ah, sobre aquela magnífica seleção da Holanda de 74, vale dizer que não discordei nem um pouco do que o seu maior ícone, Cruijff, disse recentemente sobre a nossa seleção, de que não pagaria ingresso para assisti-la jogar, já que se parecia com qualquer uma e carecia do encanto e da criatividade que tanto caracteriza e o futebol brasileiro, diferenciando-o dos demais.

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