Que nem

Acrofóbico, igual ao pai.

.

A firma subiu pro vigésimo terceiro.

Pediu as contas.

Em casa, Luciana explodiu. Foi pra Queimados, casa da irmã, Zequinha esgoelando no ombro, bracinhos esticados, pai!, pai!, paaaai!

Dois dias de cachaça, tristeza e pão.

Ligaram da firma. É pra passar lá e assinar a papelada, essas coisas.

Tomou banho.

Pegou a van.

“O RH foi pro vigésimo quarto”, disseram na portaria.

“Pra que andar?”, no elevador.

“Vinte e cinco”, suando feito um porco.

“Plin!”, a porta abriu. Desatou a correr, correr, no final do corredor o vidro da janela quebrou fácil, todo o prédio ouviu a pancada no teto da banca de jornal, esmigalhou a cabeça e arrancou um braço, sangue pra tudo que é lado, a Luciana se acabou de gritar e depois desmaiou quando leu no Meia Hora, e o ascensorista, “só vi o cara dizeno ‘no vinte e quatro não!, no vinte e quatro não!'”, contado à polícia, aos colegas da firma, ao dono da banca, três mil reais de prejuízo.

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Homofóbico, que nem o pai.

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5 respostas para Que nem

  1. Pingback: Ricardo C.

  2. Camila S. disse:

    Coerência até na hora de ser incoerente: isso é que é firmeza de caráter!

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  3. gugaalayon disse:

    toda saída de emergência dos recursos humanos é mais Ô menos a mesma coisa.
    Ótimo, Ricardo

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