Um aperto de mão, quem sabe um abraço

Quando a Carla comentou o que a Inês disse, que “num mundo em que as famílias perderam importância relativa, as amizades são as nossas famílias escolhidas, capazes de nos dar suporte”, eu já sabia do que ela falava. Não é novidade, há muitos anos tenho encontrado pessoas escolhendo suas famílias sem casar-se com elas: pares, trios ou grupos convivendo fraternalmente, com o sexo pouco entrando no contexto. E não se espante, você leu direito. Até o duplo sentido da última frase, aposto. (Nada contra o sexo, não se preocupe, apenas sinalizo que ele não é o aspecto central dessas configurações.) Mas não é especificamente de sexo (ou de sua ausência) que quero falar. O mote é mesmo a amizade, e porque não, amizade em tempos de internet.

Até aqui posso dizer que conheci muita gente na rede virtual. Nenhuma surpresa, claro, tem acontecido o mesmo com milhões de pessoas. Porém, ao pensar nas características de cada tempo, poderia ter dito o mesmo em relação ao passado, só trocando “internet” por “escola”, “universidade”, “clube”, “praia”, “competição (esportiva)”, “igreja”. É só mais um meio, ainda que com uma capacidade multiplicadora e aceleradora bem maior do que as anteriores, e com a (ilusória) impressão de tratar-se de um meio que “queima etapas”, isto é, onde conhecer pessoas seria mais rápido e fácil. Caberia ao meio essa aceleração as coisas?

Não foi à toa que pus a palavra “ilusória” entre parênteses. É mesmo um discreto sinal sobre o que em realidade penso. Porque se a internet realmente queimasse etapas no processo de fazer amigos, o número de pessoas pelas quais seríamos capazes de “atravessar uma casa em chamas”, como disse a Inês, seria substancialmente maior. Daí te peço que experimente contar: quantos amigos com “a” maiúsculo você de fato tem? Qual a intensidade, ou melhor, a densidade desse afeto, o tamanho do compromisso que temos com muitos dos que chamamos de amigos? E uma pergunta derivada: quanto tempo e que tipo de experiências foram necessários para que virassem amizades do quilate expresso pela Inês Pedrosa?

Parece até que quero estabelecer um índice de fraternidade, um indicador onde, abaixo de um determinado nível, fôssemos terminantemente proibidos de usar a palavra “amigo”, podendo substituí-la por “colega”, “conhecido” ou alguma outra que no momento me escapa. É mesmo a impressão que passo, reconheço. Talvez haja algo de moralista nisso, eu que quase sempre associo o ato de moralizar o que quer que seja a algo negativo, com ares de censura e preconceito. Assumo os riscos. Aliás, já assumi coisa “aparentada” em pelo menos mais uma ocasião, quando afirmei não amar todo mundo. No fundo, uma das coisas que sempre quero é que certas palavras sejam um pouco menos desvalorizadas, que retomem a sua capacidade de dizer, um dizer que infelizmente costuma esvaziar-se na proporção em que repetimos tais palavras como papagaios, pronunciando-as porque todos assim o fazem, mas sem ter ideia se é aquilo que de fato queremos dizer. Mas resgatar a autenticidade (não confunda com origem) das palavras é só uma das partes desta minha tosca reflexão, nem sei se a mais importante.

Penso agora nas pessoas que tenho conhecido nos últimos cinco anos, desde que comecei a transitar pelo universo dos blogs, redes sociais e assemelhados. E me salta aos olhos o fato de que hoje posso chamar alguns de amigos, sobretudo aqueles com quem quis conversar um pouco mais, amigos nos termos que defini aí em cima. Mas acrescento um dado importante, ao menos no que me concerne: desejar conhecê-los em carne e osso foi um dos primeiros indícios de que essas pessoas caminhavam para tornar-se minhas amigas. Isso é fundamental? Mais uma vez, receio ter que soar moralista, impondo algum tipo de regra tão antiquada em tempos de “tempo real”: sim, é fundamental. Significa que se eu (ao menos) não desejar conhecer alguém ao vivo, sem mediação de câmeras, telefones, teclados, essa pessoa não será minha amiga no sentido estrito da palavra? No que me diz respeito, sim, é o que significa. Mas atente para o início da frase anterior, que fala de um desejo de conhecer alguém em carne e osso. Conhecer esse alguém vem depois de desejar fazê-lo! Com isso, a minha “regra moralizadora” pode contemplar todas as pessoas a quem a distância e as circunstâncias me impedem de apertar a mão ou dar um beijo na face, ou que qualquer dificuldade mais séria por parte do outro trave ou retarde essa forma de encontro. E devo dizer que tenho muitas pessoas em mente.

Detalhe importante: conhecer em carne e osso alguém que se desejasse conhecer não garante que a amizade se torne profunda e perene. Dito isto, prossigo.

Comentei em outro post que as relações que não têm como saírem da esfera virtual também podem ser profundas, intensas e significativas, e que pensar o contrário estava longe de mim. Mas acrescentei que se (e quando) essas mesmas relações podem e no entanto não saem do âmbito virtual, algo elas têm de deficiente — em se tratando de amizades, devo enfatizar. É como se algumas relações tivessem uma espécie de caminho a seguir, com uma série de escalas que, se não forem cumpridas, fazem correr o risco de que se perca o principal, os detalhes que tornam as coisas singulares. E para trazer um pouco do sexo que até aqui deixei de fora deste escrito, nem que seja como metáfora, peço que imaginem um sarro, daqueles bem gostosos (e a reciprocidade nos que se sarram é vital para esta minha metáfora): até quando o sarro permanece bom? Em outras palavras, o sarro pode até ser um ótimo substituto da transa, um bem em si mesmo; mas não me furto a dizer que os seus melhores desempenho e função dão-se como prenúncio daquela. E aqueles sarros intermináveis, dos que nunca chegam a virar transa — penso, é claro, nos que já transaram alguma vez na vida; deixo fora dessa os que ainda estão “a caminho” —, com o passar do tempo acabam perdendo o seu (duplo) caráter lúbrico: de um lado, arrefece a lascívia, o erotismo e a sensualidade; e de outro, acaba ardendo, por falta de lubrificação.

E com tudo isso, só me resta inverter uma frase que já ouvi por aí, a de que fazer amigos é fácil, o difícil é manter essas amizades. Assim sendo, afirmo: fazer amigos é que é difícil; manter amizades é facílimo.

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28 respostas para Um aperto de mão, quem sabe um abraço

  1. Pingback: Ricardo C.

  2. Tarilonte disse:

    Muito bom texto.

    Interessantíssimo o tema Internet e Amizade, por tratar do desenvolvimento de uma instituição social antiga – tão antiga quanto a própria humanidade – dentro de um meio totalmente novo. Novo em tempo de vida e novo no conceito.

    Sendo a amizade uma “família que se escolhe” é indispensável para seu surgimento conhecer a pessoa que se tem por amigo. Os laços que unem duas pessoas numa amizade somente podem ser feitos conhecendo-se as virtudes e os defeitos mútuos.

    Dito isso, como fica a criação desses laços no ambiente hermético da internet? Será possível conhecer uma pessoa sem ter contato real com ela? Muito bem colocado quando você diz que existem duas situações distintas, a da amizade virtual que não tem como se tornar real por impossibilidade física e a pseudo-amizade virtual que não se torna real por falta de interesse (mútuo ou de uma das partes).

    A Internet inova quando torna realidade a “cauda longa”, que é a capacidade de elevar ao infinito as possibilidades de interação. Enquanto no mundo físico somos limitados pelo tempo e espaço – nossa possibilidade de conhecer pessoas se limita aos lugares que frequentamos, que é uma parcela infinitesimal de todos os lugares que existem no mundo – na rede mundial podemos contatar centenas, milhares de pessoas que jamais estariam fisicamente ao nosso alcance.

    Isso traz os relacionamentos sociais para uma nova realidade, que possui quatro grandes diferenciais em relação à realidade tradicional. Primeiramente, como foi dito, a possibilidade de contatar muito mais gente. Fóruns, salas de bate-papo, orkut, facebook, MSN, twitter, blogs, etc.. São os mais diversos ambientes virtuais por onde circulam milhões de pessoas, todas disponíveis. Em consequência disso surge a segunda característica, que é o pouco tempo que dispomos para dedicar a cada uma dessas pessoas, em virtude da vontade que temos de expandir ao máximo essas possibilidades. em terceiro lugar, a extrema facilidade que o ambiente proporciona para que as pessoas se mostrem de forma diferente do que realmente são; É extremamente fácil mentir e fingir sobre quem somos, em todos os aspectos. Podemos conhecer e conversar com uma pessoa por anos sem saber de fato se é ao menos homem ou mulher. e por fim, existe uma facilidade extrema para simplesmente desaparecer sem cerimônia; ao contrario de um contato real, na internet podemos excluir e bloquear qualquer pessoa a qualquer momento, sem passar por nenhum confronto ou desconforto.

    Junte esses quatro elementos e o que temos? Um ambiente desorganizado, apinhado de gente, com pessoas que quase nunca são o que dizem ser e que, em um segundo, podem desaparecer para sempre. Porém, com imensas possibilidades de interação e, consequentemente, de relacionamentos.

    Para essa nova realidade, necessitamos de novos valores éticos e morais, pois os valores tradicionais pouco se aplicam e pouco podem ser úteis nesse novo ambiente. Precisamos aprender a lidar com as novas realidades e as novas possibilidades da internet, no campo dos relacionamentos. E isso leva tempo. Toda essa realidade ainda é muito recente e ainda está tomada por uma euforia muito grande. Creio que assim que a poeira baixar e os ânimos se acalmarem poderemos aproveitar muito melhor as novas possibilidades criadas pela internet.

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    • Ricardo C. disse:

      Tarilonte, suas observações sobre esses 4 elementos são bem apropriadas, e me fizeram lembrar de um ditado em espanhol (que deve ter algum correspondente em português): “quien mucho abarca, poco aprieta”.
      Esse excesso gera também uma ansiedade generalizada por não saber como gerenciar tanta informação disponível, tantos contatos ao alcance de um clique. Só não sei se concordo que por conta disso precisemos de novos valores éticos e morais, mas adaptar os atuais às novas configurações.

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  3. Quequel disse:

    Eu gosto desse tema. Frequento blogs há pouco tempo, e portanto minha experiência com fazer amigos virtuais é recente, pequena ainda. Mas é importante prá mim, porque aplacou uma carência que eu sentia há alguns anos, desde que passei a morar longe dos meus amigos reais e familiares. Eu atravessaria uma casa pegando fogo por causa de algum deles (exemplo extremo, hein?)? Provavelmente ainda não. Mas já tive vontade de conhecer alguns; preocupo-me com o sumiço de outros; sinto, com algum incômodo, a precariedade do vínculo quando algumas pessoas mantem a superficialidade propositadamente e/ou optam por não comentar mais naquele espaço… e me surpreendo vendo que algumas pessoas, apesar de passarem horas de suas vidas no blog, compartilhando com amigos virtuais mesmo quando estão em casa – ou seja, roubando tempo de convívio com os familiares “amados” para estar com os amigos e pseudo-amigos virtuais – escolhem nunca se encontrar fisicamente com os virtuais, mesmo morando na mesma cidade. Será por medo? O que explica a identificação entre duas pessoas no âmbito virtual e a escolha por nunca transformar esse encontro em real?
    Eu vivi o inverso disso. O orkut proporcionou o encontro entre pessoas que foram amigos, ou colegas, na infancia e adolescencia e se perderam na vida. O reencontro sempre era uma festa, promessas de agora nunca mais nos perderemos, etc e tal. Mas esse reencontro, na maioria das vezes, não se deslocou para a vida real. Ficou lá, no plano vitual. Isso aconteceu comigo mesmo nos casos em que a amizade refeita pelo orkut foi com amigos de infancia que moram na mesma cidade minúscula dos meus pais. Embora eu seja a protagonista dessa resistencia em tornar o virtual real, eu ainda me admiro com isso.
    Até aqui estava falando de amizade, mas outra coisa que me espanta no mundo virtual é o tesão. Algumas pessoas despertam tesão na gente só com o olhar, um aperto de mão, ou por estar perto. Flui uma energia sexual do nada. Pois não é que já senti isso pela internet? Sem voz, sem imagem, só uma conversa foi capaz de deixar-me com tesão, outras vezes enamorada, apaixonada, com o riso fácil… Isso é muito gostoso, embora às vezes possa ser frustrante, já que sinto-me mais viva quando estou apaixonada, mas escolhi ser casada e monogâmica.
    Como escreveu o Tarilonte, ainda tenho muito a aprender com essas novas possibilidades.

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    • Ricardo C. disse:

      Quequel, frequentadora do Pandorama e do falecido Weblog do Pedro Dora, que satisfação vê-la por aqui. E o seu incômodo sobre a precariedade dos vínculos em tempos tão virtuais coincide com o que comento no texto. Acrescento inclusive todas essas ferramentas disponíveis nas redes sociais, nos blogs e mesmo nos emails que nos permitem enviar mensagens curtas com uma facilidade incrível — e às vezes a “trocentas” pessoas ao mesmo tempo —, seja na forma de uma simples pontuação (positiva ou negativa), como é o caso do Pandorama, seja no “curti” do Facebook, ou mesmo nos lembretes de parabéns que os aplicativos nos mandam e fazem com que “nunca antes na história deste país” parabenizássemos tanta gente, coisa que antes volta e meia esquecíamos de fazer até mesmo com os parentes mais próximos. Isso dá uma falsa impressão de proximidade, de estar de fato atentos ao outro…
      Quanto ao tesão de que vc fala, realmente a esfera virtual é super curiosa nesse aspecto. Aliás, vale dizer que as ferramentas de que falei tb ajudam a construí-lo. Imagine a quantidade de fotos, frases, discursos, músicas, enfim, referências de todo tipo ao alcance do mouse, e que permitem criar “personas” muito mais interessantes para cada um de nós… Não tenho estatísticas à respeito, mas algo me diz que se por um lado com a internet temos uma enorme disponibilidade de novos encontros, algo me diz que uma proporção maior termina em desencontro, se compararmos àqueles ocorridos prioritariamente na esfera “desplugada”, por assim dizer.

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  4. Nat disse:

    Posso dizer que conheci inúmeras pessoas pela internet, mas um meio que poderia facilitar amizades também pode dificultá-las na dimensão real. As pessoas que conheci pessoalmente moram em outros bairros, em outras cidades, em outros estados e até em outros países.

    Se conhecer pessoalmente é requisito fundamental para uma amizade, acho que poder repetir o encontro é requisito ainda mais fundamental.

    A amizade é uma troca contínua de informações, mas acredito que seja também uma troca de sensações, de experiências sensoriais e, neste último caso, a virtualidade não favorece essa troca. A internet, no entanto, favorece que encontremos pessoas com mais interesses comuns com a gente. É como um bar temático, você pode escolher um assunto que deseja compartilhar. Mas a amizade não se faz somente de compatibilidades intelectuais. Além das trocas que citei acima, a amizade verdadeira costuma ser constatada através de testes constantes. É comum que só percebamos que temos um grande amigo depois que algo acontece em que ele se mostre presente, ou importante. E a virtualidade também não ajuda neste ponto.

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    • Ricardo C. disse:

      “Se conhecer pessoalmente é requisito fundamental para uma amizade, acho que poder repetir o encontro é requisito ainda mais fundamental.”

      Nat, problema que vejo sobre o que é muito fácil, rápido, ao alcance da mão, é justamente a facilidade do descarte, que de certa forma parece automática. Esse é um dos problemas que vejo com mais apreensão, porque há um sofrimento real por parte dos que investiram muito num relacionamento qualquer com alguém e o vem descartado com uma sem-cerimônia que chega a espantar. No fundo, por mais que depois de algum tempo o “teclado” de alguém seja reconhecível, que vire rotina em nossas vidas ver sua escrita na tela, nós tb seguimos atrás de uma tela, mediados por aparatos eletrônicos — que não sobrevivem à falta de energia, hehe —, e desligá-los não é lá muito difícil, né?
      Por último, suas observações tanto sobre as experiências sensoriais quanto sobre os testes constantes — que de fato separam o joio do trigo no quesito amizades — é algo com o que não só concordo, mas de que não tenho a menor dúvida.

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  5. Pingback: natpeixoto

  6. Ricardo C. disse:

    Tarilonte, Quequel e Nat, como estou em trânsito, volto amanhã à tarde para responder com mais calma aos belos comentários de vocês, combinado?

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  7. Gwyn disse:

    Vou modificar um pouco a sua conclusao, para mim
    Descobrir/encontrar amigos é que é muito difícil, fazer e manter a amizade depende da nossa vontade ou nos permirtirmos.

    A internet permiti aprimorarmos um sentido pouco utilizado por nos, o da percepcao. E incrivel como e possivel sentir e entender pessoas sem nunca te-las visto. E nem mesmo e preciso ler o que escrevem.
    Conheci pessoas nesse mundo virtual que sao muito mais que amigos. A sintonia e impressionante.
    Acho que encontra-los pessoalmente e so uma forma de “confirmarmos” o que nossos sentidos nos dizem..

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    • Ricardo C. disse:

      Gwyn, tendo conversado contigo e pelo menos visto você uma vez, acredito entender bem o que disse, e concordo que a “manutenção” das amizades tb tem as suas exigências. Só que o meu argumento é o de que muitas vezes chama-se alguém de amigo quando ainda não chegou realmente a virar um — e talvez esse dia nunca chegue —, e que a internet e suas facilidades ajuda a confundir esse tipo de coisas ainda mais um pouquinho, só isso. De resto, o tipo de experiências que ela ajuda a realizar segue sendo bárbaro, e não creio que se deva maldizer a ferramenta (e não o faço, acredite em mim!) pela falta de habilidade do usuário, né? 😉

      Beijos do Rio 40 graus!

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  8. Nat disse:

    Ricardo, vou ficar de mals… Primeiro vc diz que volta depois pra responder o comentário do povo e depois vc responde o da Gwyn e deixa a gente no vácuo?

    Tsc, tsc…

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  9. c* disse:

    rc,
    pois eu alimento nossa amizade virtual so com palavras escritas, alguns papos telefonicos e muitas risadas ! vai negar que seja real a saudade que senti de voce hoje, sentindo quase calor aqui no outono de manhattan ?
    e tem mais, ….bem, segue email ! =)

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  10. c* disse:

    aproveitando a oportunidade e mandando beijos apertados pra alguns “amigos” invisiveis e que estao sempre tomando agua em voce rc, winis, gwyn, anrafa ! saudades de conversar mais….

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  11. Camila S. disse:

    Entendo esses tempos internérdicos como maneira de, realmente, aproximar as pessoas. Algumas, como você bem disse, nos despertam a vontade de tornar aquele emaranhado de letrinhas e imagens em alguém de quem possamos lembrar tridimensionalmente, que tenha voz, cores, cheiros, risadas, o bom e velho contato humano. Esse negócio de que internet deixa as pessoas cada vez mais afastadas é pura balela e/ou falta de pauta jornalística. Já aprofundei relações com muitas pessoas pela internet, que vão além de uma simples conversinha, dá pra ter um certo contato, mas, como você também disse, para que ele se concretize de fato, é necessária uma aproximação também física.

    Vou dar meu exemplinho piegas e romântico. Conheci meu namorado pelo twitter (clichê da modernidade?), e logo que nos encontramos era como se já nos conhecessemos há eras, foi uma aproximação muito intensa, isso porque nem tínhamos conversado muito antes. Agora ele está impresso no meu dia-a-dia, em tudo o que eu faço e não consigo me imaginar sem ele. Não sei como seria se não tivessemos nos aproximado pela internet, provavelmente nunca teríamos nos conhecido, e, não só porque eu tenho olhos e coração de apaixonada, mas isso me dá um frio na espinha só de pensar, mnha vida seria outra, provavelmente mais triste.

    A internet é o meio mais fácil e rápido de entrar em contato com seus “semelhantes”, e creio ser esse o seu grande trunfo nesse mundo em que estamos cada vez mais sendo obrigados a nos recolhermos por trás das grades de nossas casas.

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    • Ricardo C. disse:

      Salve a minha mais nova vizinha de condomínio, bom ter o prazer da visita. Refestele-se no sofá, e querendo um café expresso, vou ali preparar um.

      A aproximação é fato, Camila, não há termo de comparação no que diz respeito às possibilidades que a internet oferece, como bem comentou o Tarilonte no primeiro reply. Mas não chego a chamar de balela uma certa distância, não apenas física, que se dá como efeito colateral dessa proximidade virtual. Aqueles cartuns onde pai e mãe entram no msn para chamar o filho que está no quarto ao lado para vir jantar na sala já saíram da categoria de piada, vc sabe disso. E como comentei antes, esse universo “ao alcance da mão” cheio de novidades sedutoras, prazerosas e quase nada trabalhosas chega a ser uma covardia diante do esforço de marcar com alguém, arrumar-se, escolher o lugar, pensar em como se chegará lá (carro, taxi, transporte público, a pé?), nos custos… Que preguiça! Brincadeiras a parte, o que me chama a atenção é a enorme quantidade de contatos que hoje em dia podemos fazer, mas que não diminuiu em nada o grau de insatisfação e de solidão das pessoas, ao menos não como se deveria supor.
      Ah, parabéns pelo namoro facilitado pela internet. Por sorte vc parece saber muito bem que depois desse encontro via twitter o que se precisa é exercitá-lo cotidianamente, off-line, com todas as delícias e chateações presentes no pacote completo, né?

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      • Camila disse:

        Salve!

        Então, também vejo que a piada se transformou em realidade, aliás, eu falo com colegas de trabalho que estão a poucos metros de mim pelo msn. Mas acho que rola também um melodrama nisso tudo, as pessoas estão ao menos se comunicando. A carência do contato físico é realmente algo preocupante, como pais que acabam nem sabendo quem são seus filhos, mas creio ser parte da transição dos meios.
        E claro que a internet também pode ser vista como o modo de aproximação dos preguiçosos, onde a única coisa que se paga é a conta da banda e o único movimento que você faz é ir até a geladeira pegar outra cevrveja. Mas também poupa de esforços até meio vãos se o que te interessa é ir atrás de pessoas totalmente desconhecida num bar. É até paradoxal: ao vivo, tudo se esconde, você pode fingir muito bem, tanto quanto se estivesse protegido por um nick e um monitor; mas ao mesmo tempo, o que você decide se revelar pela internet é sempre maior do que o que você revela numa conversa ao vivo, no mundo das aparências. Tem os dois lados da moeda.

        E sim, a insatisfação e solidão continuam, como sempre continuarão, já é parte da condição humana, não é a toa que tantos se sentem sozinhos em meio à multidão. Você tem um monte de contatos, mas os amigos mesmo, desses de atravessar prédio em chamas, são poucos, isso com o advento da internet ou não.

        Hahaha, obrigada pelos parabéns. E sim, a internet foi só um facilitador, quase não nos falamos por ela, aliás, como quase não falo pela internet com as pessoas com quem eu tenho mais contato. É um meio muito frio e tem um poder de distorção de palavras imenso, então, quando quero falar com as pessoas que me são importantes, melhor o ao vivo, com tom de voz, cheiro, aperto de abraço pra não gerar nenhum mal entendido desnecessário.

        No final das contas, as relações humanas continuam iguais na essência, só ganharam um tanto de liberdade (considero o individualismo uma espécie de liberdade, afinal, pra quê ter tão próximo de você quem pouca diferença faz? esse é o meu conceito de individualismo, que de modo algum é sinônimo de egoísmo) e ferramentas facilitadoras de contato. A evolução do contato pra algo palpável, que faça parte de nossas vidas, já é outra coisa, e só pode ser feita por nós mesmos.

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  12. Monsores disse:

    Ricardo, seu post me deixou com peso na consciência.

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  13. alex castro disse:

    eu tb fiz e tenho mts amigos na internet. e tb acho q a pessoa só fica de fato real pra vc quando vc a conhece pessoalmente. antes, eh tudo mt abstrato

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    • Ricardo C. disse:

      Você é um exemplo, Alex. Se não tivesse te conhecido ao vivo, talvez não visse os teus escritos com os olhos de hoje. É um olhar que tanto aponta para a amizade da gente (nova, é claro, mas já podendo chamar-se amizade), quanto para a avaliação do que há de personagem e o que há do Alex que conheço nos teus textos.

      Ah, só um adendo: o teu comentário ficou com 151 caracteres… 😉

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  14. alex castro disse:

    facil fazer ficar 140. corta os eus, abrevia quando pra qd, internet pra net, tudo pra td, e pronto, já foi. e é um prazer ser seu amigo, sim, de verdade.

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