Ganhamos! Ganhamos? Ganhamos… [adendos]

– Se no post anterior acabou não ficando clara a minha posição em meio a tantas críticas, então aclaro: fiquei contente com a escolha do Rio para sede das Olimpíadas de 2016.

– Conversando com um amigo que não mora no Rio, que para poder refletir sobre as Olimpíadas me perguntou sobre o legado do Pan, no meio do papo comentei:

Acredito que ao serem colocados na balança, tanto o Pan teve quanto as Olimpíadas terão saldo positivo, mesmo que não tão direto assim. Tudo depende do que os governantes farão com isso, especialmente em termos de planejamento do que seria a vocação da cidade, que entre outras possibilidades que agora me escapam, deve voltar-se mais profissionalmente para o turismo, nos moldes do que a Espanha faz. O reordenamento urbano, a oferta de empregos, o investimento nos bairros menos nobres — emprego, saúde, educação, segurança, lazer e transportes —, para tornar os deslocamentos menores para o trabalhador. Enfim, a cidade segue sendo partida, e há muitos Rios que pouco conversam. Isso eu gostaria que um dia começasse a mudar, e que não piorasse ainda mais.

[Tudo muito óbvio, muito senso-comum. Ainda assim, o que menos se vê em termos de políticas públicas para o Rio de Janeiro é a aplicação do mais reles (desde que razoável) senso-comum…]

– Vale a leitura de uma entrevista com o Torben Grael. Curta, simples e com foco na área esportiva propriamente dita, cujo potencial é muito pouco explorado. No que diz respeito a legados, ironicamente esse ainda é o de pior classificação.

– Outra matéria, falando sobre um contínuo problema não do Rio, mas do país: a falta de investimentos contínuos. A matéria enfoca a segurança pública, mas os investimentos meramente episódicos são prática corrente no nosso país, não importa a área. Um trecho da reportagem:

A herança positiva que um evento internacional como as Olimpíadas, ou mesmo uma Copa do Mundo, pode deixar para a cidade também foi questionada pelo diretor da ONG Rio de Paz, Antônio Carlos Costa.

“É lógico que eu quero olimpíada no Rio de Janeiro. Quero os ganhos sociais da organização dos jogos na nossa cidade. Contudo, sinto-me profundamente frustrado e desrespeitado, como cidadão, quando vejo uma mobilização da prefeitura, do governo do estado e do governo federal para a realização dos Jogos Olímpicos e não percebo a mesma mobilização para que os cariocas parem de ser assassinados”, afirmou.

[Ainda sobre a falta de continuidade nas políticas públicas, justiça seja feita: nos dois últimos governos — FHC e Lula, este último com mais sucesso — tem havido uma maior continuidade nas mesmas. Não tenho dados aqui e carrego a minha habitual preguiça de pesquisar, mas hora dessas pergunto ao Hermenauta ou ao Maurício Santoro el tenho certeza de que ambos confirmam isso com alguns números sólidos.]

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