Terapias alternativas

“Não aguento mais!”, gritou pra ninguém. E ninguém ouviu, mesmo. Olhou pro monitor, respirou fundo, e com seu último fôlego abriu os e-mails de Ninfa Idjhaz, Alexandre Chandler, Susan Scarberry e outro tanto de desconhecidos, a sirene do anti-vírus urrando perigo!, perigo! e ele nem tchuns, “o que você quer, Steve K. Potts, diga lá, David Sonnenfield, fala aí, Maruska Norfolk, quero seus Vi @ gr @s, seus Ci @ lis Softs sim, e digam pra Semenova Svetlana que eu topo aprender russo e casar com ela”, o anti-spyware desesperado soltando janelas e mais janelas de objetos críticos que o outro fechava sem dó, e o estrago feito, feio como nunca.

“Puta que pariu três vezes!”, berrou meia-hora depois. Sobrancelhas em fúria, deu uns cinco tapas na cabeça, de raiva. “Raiva escrota, raiva do caralho, raiva fiadaputa, até que gostei de ti, sua danada, sumiu com aquela solidão do cão que o Dr. Braga diz que é transtorno depressivo grave, o puto sempre com aquele papo de vai doer mais em mim do que em você na hora de mandar ver na é-cê-tê“, enquanto ligava pro Luís da assistência técnica, reservava oitentinha pro serviço dele e alongava na frente do teclado, satisfeito da solidão dar no pé, de ser a vez da cólera amansar e de não ter que aprender russo, a Semenova que procurasse outro mané.

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4 respostas para Terapias alternativas

  1. Luiz disse:

    Eu estou enganado, ou lá no meio do texto tem uma piadinha interna pra este seu amigo?
    E não é o nome do cara da assistência técnica…

    Ou será que nem você notou?

    Curtir

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