Indagações sabatinas

Não sei se virará rotina, mas deu vontade de aderir a uma das práticas mais comuns e banais que conheço: transcrever o trecho de um texto qualquer, de preferência contendo alguma indagação que tenha me chamado a atenção. Ah, publicá-lo sem fazer maiores considerações sobre ele, quando muito grifando uma ou outra palavra ou frase. Então vamos ao primeiro:

A falta de respeito, embora seja menos agressiva que o insulto direto, pode assumir uma forma igualmente ofensiva. Nenhum insulto é feito ao outro, mas ele tampouco recebe reconhecimento; ele não é visto — como um ser humano pleno, cuja presença tem importância.

Quando uma sociedade trata a grande maioria das pessoas desta forma, julgando apenas alguns poucos dignos de reconhecimento, é criada uma escassez de respeito, como se não houvesse o bastante desta preciosa substância para todos. Como muitas formas de escassez, esta é produzida pelo homem; ao contrário da comida, o respeito nada custa. Por que, então, haveria uma crise de oferta?

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[SENNETT, Richard. Respeito: a formação do caráter em um mundo desigual. RJ: Record, 2004, p. 17.]

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11 respostas para Indagações sabatinas

  1. Nat disse:

    Que eu saiba o nome disso não é “algo banal” e sim “preguiça” mesmo hehehehehe

    Saudades! Bjs,
    Nat

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    • Ricardo C. disse:

      Pô, Nat, desmascarar-me assim não vale, hehe!

      Nos vemos na segunda, né? Tenho que imprimir o convite?

      Bjs

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      • Nat disse:

        Sim, nos vemos lá. E não, não precisa imprimir os convites. Acabei de voltar da rua, estava tomando umas e outras com o “autor” e ele tá super animado com a presença de vocês. Vai ser bacana! Bjs

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  2. Por outro lado, como já dizia um daqueles franceses do século XVIII de cujo nome já não me lembro, La Rochefoucauld, Chateaubriand, La Boétie, um desses, há épocas em que o desprezo precisa ser usado com parcimônia, tal o número de necessitados.

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    • Ricardo C. disse:

      Quando a gente lembra dos “nossos” oligarcas, Tomás, “desprezo” só reservamos aos que, na melhor das hipóteses, já morreram…

      E devo visitar o teu blog com mais tempo, pois fiquei curioso, intrigado, interessado. Ainda não sei se terei o que dizer por lá, e tampouco sei se isso importa. Mas que passarei por ele de novo, pode estar certo que sim.

      Abs

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      • Ah, então foi você! Bem que eu vi que o número de visitantes do absoluto tinha dobrado.

        Sou preguiçoso demais pra manter um blogue ou mesmo uma mera página que não exija modificações mais ou menos periódicas. Vivo planejando pôr textos novos no ar, mas me dá uma lombeira…

        Tudo o que está lá é bem antigo, do tempo em que eu andava discutindo com uns três ou quatro grupos ao mesmo tempo.

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      • Ricardo C. disse:

        Pois é uma pena, Tomás, de verdade. Sou um defensor ferrenho da preguiça, mas acredito piamente que ela também possa ser usada a serviço de outros. No teu caso, um post por mês, um aviso por e-mail para os simpáticos a tuas ideias e pronto, um monte de visitantes e eventuais colaboradores — claro que muitos chatos devem aparecer também, mas esse é o preço da fama, não é? 😉

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      • É que, além de preguiçoso, sou movido a polêmica. Normalmente, tenho o cérebro em estado de semivigília, entre alfa e teta. Mas vai lá e xinga a minha mãe, e só paro de escrever quando fico com cãibra.

        No blogue [http://absoluto.blogsome.com/] há textos mais recentes, alguns de só seis meses atrás, sobre a Grécia. E há lá também o cadáver embalsamado de um blogue em português que mantive por uns tempos [http://absoluto.blogsome.com/posts-from-an-ex-blog/]. Acho que você vai gostar da imagem do cabeçalho, é o motivo que me trouxe ao *seu* blogue. 🙂

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      • Ricardo C. disse:

        Tomás, ao passear pelos teus escritos vi algo de labiríntico que me deixou deveras curioso sobre sua trajetória intelectual, política e mesmo geográfica. Mas teria que passar um bom tempo por lá, lendo sobretudo as entrelinhas, e eu tb sou preguiçoso, confesso. Talvez um bate-papo por e-mail seja o mais indicado, não?

        Grande abraço desta singela ágora copacabânica,

        Ricardo

        P.S. Sim, a imagem é muito boa!

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  3. Lucas disse:

    Coincidência, passei o último fim de semana toda as voltas com Sennet, ajudando minha namorada a escrever a monografia dela. Mas era ‘A Corrosão do Caráter’.
    Um abraço

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