Um nada de quarta

Tenho uma amiga recente que gosta muito do falecido seriado Seinfeld — “falecido pra você, seu ingrato!”, não é bem a frase que ela diria, mas suponho que o espírito lhe fosse próximo —, e eventualmente pontua algumas situações com episódios da série. Pois hoje, logo após um agradabilíssimo almoço em companhia de outros dois amigos igualmente recentes, ela, eu e um dos dois seguimos proseando pelas ruas do Centro do Rio. Foi quando, do nada, veio à baila um episódio do seriado, aquele em que o Seinfeld namorava uma moça que adorava andar nua em casa — para deleite do comediante. E ao que tudo indica, essa referência foi a senha para que viessem à tona certas reminiscências de um dos três — não vem muito ao caso dizer quem —, com a particular lembrança de uma bela praia, com belas pessoas, todas belamente nuas, em total consonância não apenas com a estética do lugar, mas também com o que, no tal episódio, o comediante chamara de good naked. Bom, é claro que em Seinfeld nada pode ser inocentemente good, daí que em dado momento a nudez da namorada acabou mostrando uma face não tão sexy quanto ele imaginava…

E o que tem a ver com o que eu falava mesmo? Ah, lembrei: que nas reminiscências de não importa qual de nós três sobre um certo grupo de pessoas nakedmente belas em uma igualmente bela praia, deu-se o momento em que sobraram apenas duas dessas pessoas belamente nuas; que num intervalo desse mesmo momento, enquanto um dos desnudos deitava os olhos com discreto vagar pelas curvas, promontórios, saliências e reentrâncias de sua bela amiga, deparou-se com um cordão azulado pendendo esticado, ruidoso e ímpio dentre suas bem torneadas pernas; e que de uma hora para outra tudo correspondeu à perfeição ao que no episódio se chamou de bad naked, para confirmar que a vida, muitas vezes, é tão somente um episódio de Seinfeld — e, neste caso, o 165.

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9 respostas para Um nada de quarta

  1. Luiz disse:

    A pergunta que não quer calar: você vai amanhã à noite para o encontro bloguístico-etílico na Cobal do Humaitá?

    Se for, tome uma(s) por mim e dê um abraço no padeiro-chefe da Louisiana.

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  2. Darwinista disse:

    Ah, Seinfeld… O melhor de todos os seriados. Há um cartum, que não consigo encontrar, com referências a alguns dos episódios mais importantes. Estão lá a estátua do índio, a boneca que parece a mãe do George… E agora eu me pergunto se a moça que gostava de andar nua também está lá. Se eu achar, coloco o link aqui.

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  3. camilalpav disse:

    Hahahahahaha! “Ruidoso e ímpio” – perfeito, perfeito! Quanto à frase que você me atribuiu, confesso que ela cairia melhor na boca do Alex. 🙂 Beijo e até amanhã!

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  4. Olá Ricardo. Tá adicionado no meu favoritos. Depois conversamos mais sobre o Heidegger e o Binswanger. Grande abraço.

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    • Ricardo C. disse:

      Mas do que já conversamos me deixou bem contente, Daniel, e vale dizer que foi um prazer te conhecer.
      Ah, a esta altura do campeonato estou certo de que a sua palestra foi um sucesso.

      Abraços recíprocos

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