A queda, a fratura e o gesso [3]

……..Jair, teu primo Orestes te mandou uma piada com cópia pra mim…

Dramin

……..— Eu tinha visto o seu nome nos destinatários desse e-mail, Célia, e juro que torci muito para que você passasse batida por ele… Me desculpe pelo Orestes, meu amor. Ele é um traste machista, eu sei, e além disso, sabe muito bem como essas piadas babacas me incomodam. Mas o que ele realmente desconhece é como isso é desrespeitoso não só às mulheres, mas aos próprios homens que insistem em reproduzir esse tipo de clichê chauvinista. Tá na cara que o Orestes é mais um desses clássicos representantes do universo masculino contemporâneo que não sabem o que fazer com a educação que receberam, típica de um modelo patriarcal falido, onde eles imaginam que lhes caberia ser os “senhores do castelo”, os grandes “donos de engenho”, proprietários de tudo e de todos que estiverem dentro de seus domínios, a verdadeira lei… Só que o mundo mudou, as mulheres são cada vez mais donas dos seus narizes e do resto dos seus corpos, pagam suas contas e já não fingem que gozam para agradar ao todo-poderoso macho que vive com elas. Além disso, só mesmo um covarde para ficar imputando à companheira as suas próprias insatisfações, sua própria incapacidade de encontrar novas formas de prazer sexual numa relação duradoura. Nem parece que estamos em pleno século vinte e um, com um número cada vez maior de modalidades de relação! E o divórcio, que já existe há mais de trinta anos… Trinta anos! Nós não, Célia, nós somos de outra estirpe, batalhamos muito para estar onde estamos, né? E tome diálogo, muita análise, sem falar na paciência absurda de amorosa da tua parte quando despenquei por conta da crise da meia-idade, logo eu que achava que nunca fosse entrar numa obviedade dessas…

……..— Jair…

……..— O que foi, meu amor? Você acha que eu devo dar um esporro no Orestes? Quer que eu diga tudo isso pra ele, e que ele pare de te mandar essas piadas infames? Já sei: você vai é mostrar essa foto pra Sônia, mulher dele…

…….. Precisa disso não, amor. Só avise pra ele que “Dramin” é com “ene” no final; e que a Soninha já viu, e também se esbaldou de rir. Ah, Jair, o que é mesmo “imputando”?
.

[A “primeira queda” foi esta; e a segunda, esta daqui.]

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14 respostas para A queda, a fratura e o gesso [3]

  1. lu disse:

    hahaahhahahahahahaha
    ótimo post!
    e ótima a piadinha também – pra ficar impecável, onde se lê “Mulher”, leia-se “pessoa”, rs

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    • Ricardo C. disse:

      Pessoa é muito bom! Só não lembro da primeira vez que ouvi esse “gosto de pessoas”…
      Em compensação, foi na primeira metade da década de 80 do século passado (ficou longo, né?) que ouvi o termo “entendido” (coisa caída de tão velha!). Por sinal, na época havia uma conhecida boate gay do Rio de Janeiro, Sótão, que aproveitava a reconhecida qualidade do som da casa e fazia propaganda em rádios, com o seguinte refrão: “Sótão. O som de quem sabe… para quem entende” (hehehe!)

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  2. Colafina disse:

    Ricardo,
    Muito boa a trilogia! E apesar de mais de um ano de intervalo, parece que os episódios foram escritos em sequencia, mesma qualidade, mesmo andamento, muito bons mesmo. Parabéns.
    Um abraço!

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    • Ricardo C. disse:

      Que olhar benevolente o seu, Alexandro, obrigado!
      Bom, posso dizer que cada vez mais me divirto com a Célia e o Jair. Nem pensava em tornar a vê-los, muito menos mais duas vezes. Só que eles “me chamaram”, então resolvi dar-lhes ouvidos. E ontem, depois de receber por e-mail essa imagem do “viagra composto”, deu vontade de ver como o Jair trataria do assunto, hehe!

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  3. gugaalayon disse:

    Demais este último! Melhor até que o da beterraba.
    Tri-sensacionais aliás.
    abç

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    • Ricardo C. disse:

      Guga, você esqueceu de me mandar os dados da sua conta. Como é que vou poder depositar o combinado a cada vez que vier elogiar as minhas bobagens? 😉

      O bom foi saber que te diverti um pouco com as peripécias do Jair e o ar de “tédio com sarcasmo” de sua consorte Célia.

      Grande abraço!

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  4. Darwinista disse:

    Ei Ricardo, acho bom essa saga ter pelo menos umas 27 partes, ok?

    🙂

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    • Ricardo C. disse:

      Darw, a ideia é boa, mas se for executada, será com alguns intervalos. Apesar da tentação de escrever muitas conversas entre Jair e Célia ser grande, se exagerar perde a graça, né?

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  5. Ricardo, você escreveu textos com a rara qualidade de nos deixar com cara de bobos e rindo sozinhos para o monitor. Essa pilula indicada para transar todo dia com a mesma mulher sem enjoar nem enlouquecer é mesmo o máximo! Bem que podia ser lançada no comércio pela pfizer.

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  6. Pax disse:

    Esse Ricardo,

    Só esse Ricardo

    que não tem esse.

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  7. Ricardo C. disse:

    Alexandre, vc ter se divertido com eles é o que me diverte! A pílula, porém, foi mesmo uma imagem que recebi de um primo, que mandou por e-mail. Foi uma maneira de brincar com ele também, hehe!

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  8. Ricardo C. disse:

    Pax,
    rapaz sagaz,
    para lá de perspicaz
    sua amizade
    muito me compraz

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  9. Pingback: Ricardo C.

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