Preguiça

Já prometi a mim mesmo escrever algo sobre a inveja, um dos fatores motivacionais mais fortes e menos explorados da nossa espécie; pena que o título deste post tenha tido um poder ainda maior sobre mim do que a própria inveja. Aliás, dá até para dizer que falar do tema da inveja há de ser fruto de uma mente preguiçosa, mas deixa pra lá. Já que comecei, melhor falar uma obviedade qualquer. Sendo assim, e tendo mencionado todas as desculpas ao alcance da mão para não aprofundar este post, deixo uma pergunta para todos aqueles que costumam colocar adesivos em seus carros com as manjadíssimas frases do gênero “Não me inveje, trabalhe”, “Tá amarrado, olho gordo”, “A força da tua inveja é o caminho da minha vitória” (com variações), “A inveja é uma merda” et cætera:

Se você realmente tem horror à inveja alheia (porque, é claro, pessoalmente você nunca sentiu coisa parecida), por que insiste em gritar aos quatro ventos que não quer que o invejem?

P.S. Quase sempre vejo críticas sobre o fato desses tais adesivos costumarem vir grudados em carros velhos, como se o ridículo da questão se centrasse num alguém qualquer, notoriamente mal-sucedido (aos olhos dos críticos), tratar de chamar a atenção para si. Não é esse o meu ponto. Interesso-me mais pelas próprias acepções da palavra sucesso (bem-sucedido / mal-sucedido), verdadeiras obsessões contemporâneas. É para elas que dirijo o meu olhar.

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5 respostas para Preguiça

  1. DarwinistO disse:

    Bem observado, Ricardo. Parece uma questão quase fetichista: colar um adesivo que avisa pra que não se aproxime exatamente aquilo que se quer atrair. Fica a impressão que estão, na verdade, implorando pela inveja alheia, pois ela seria a confirmação do sucesso. Esse sucesso tão decantado nas propangadas do Hollywood e papagaiado pelos chupa-sacos do “American way of life”…

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  2. Nhé! disse:

    Também acho engraçado o fato de quem se ocupa muito preocupando-se com a inveja alheia é no fundo um grande invejoso.Aliás, acho que vou reler o Zuenir Inevojo Ventura.

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  3. Monsores, André disse:

    Eu gosto daquela”É nóis na fita e os preiboi no devedê”.

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  4. Nhé! disse:

    Oiiii, Mondores… (será que o Ricardo deixar a paquera rolar solta aqui?Vc tb gosta do “sou u1000d”?

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  5. Rê Piza disse:

    É o padrão norte-americano que foi absorvido rapidinho pelos ocidentais: se na vida vc não for um winner, vc só pode ser um looser e mais nada. Acho uma coisa muito chata, muito pobre, limitante, essa história de dinheiro=sucesso, independente de todos os outros fatores que fazem de cada pessoinha um ser DI-FE-REN-TE do outro…mas, infelizmente, o padrão ocidental é esse. Vc não acha que boa parte da loucura dos nossos dias nasce justamente da desvalorização das diferenças? Me conta o que vc pensa disso?Bjos! ps.: Esqueci da inveja: eu desconfio muito de gente que insiste em se dizer objeto de inveja. E de quem diz coisas do tipo “inveja é um horror. NUNCA senti isso!”… bjo!

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