Rapé

Primo distante por parte de mãe, de passagem pelo Brasil, vindo diretamente de “Maiame”. O lugar? Santiago do Iguape, foz do Rio Paraguaçu, Baia de Todos os Santos. (Não se dê ao trabalho de procurar no mapa; pouco provável de achar.)

Ele chega em grande estilo: num Simca Chambord conversível — sei lá se era de fábrica, foi assim que me contaram a história — e com vários capangas guardando-lhe as costas, já que a frente era bem defendida por um trabuco de razoável calibre — cuja procedência, se o cano era longo ou curto, com número de série raspado ou não e que tais, eu fico devendo —, além de ter ao seu lado uma loura “blondíssima”, de idade incerta, algo amarrotada pelos anos e pelos caminhos (certamente tortuosos) que já trilhara. (Se bem que a polpuda conta bancária a deixasse a “meia-cabeça” da Mérilin Mônrou…)

Após instalar-se em um casebre regiamente pago, espalha aos quatro ventos estar à procura de um primo ladrão, pois tinham pendengas a acertar. E para soltar as amarras das línguas locais, resolveu distribuir em cada venda e boteco em seu caminho, punhados de um pó alvíssimo, dizendo ser o tal “rapé” do título, trazido “dos estrangeiros, lá dos Esteites”, obviamente. E para não me alongar — pois há material para vários capítulos —, digo que ele partiu sem encontrar o primo ladrão, mas deixou os anciãos, anciões e anciães pedindo, em cada birosca e sem pestanejar, “um pouco de rapé, fazendo o favor. Mas do outro, daquele branquinho ali.”

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5 respostas para Rapé

  1. Alexandre A. disse:

    Puxa, essa é interessante.Não está datada mas, já dá prá imaginar, começo/meio da década de 60, o Smica é fatal, o “rapé” ainda não havia sido proibido (eu acho).Vale uma “pré” contando um pouco mais da história do dito cujo e uma “pos” de como terminou.Como o povo diz “essa dá um caldo”.Valeu, faz isso, dá continuidade.:-)

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  2. Anonymous disse:

    e no papel do seu primo distante, harvey keytel !! bota o abel ferrara na mise en scène que teremos um filme trash culte !! hahahha

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  3. confetti disse:

    anonimo o caraleo

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  4. Ricardo C. disse:

    Alexandre, prometo que faço isso outra hora. Esse sujeito merece uma pesquisa mais profunda, tenho certeza de que dá mesmo um caldo. Posso te adiantar que ele obrigou o padre da cidade a batizar o se cavalo, o que não é propriamente uma novidade, mas continua sendo engraçado!

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  5. Ricardo C. disse:

    Confetti, as suas escolhas são um primor, daria mesmo um filmaço!Beijos saudosos!

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