Ode a Mnemosine

Até ontem, pensava ter memória falha. Descobri que não. Minha memória é perfeita, grande amiga e aliada. Por obra dela, reconheço que tudo de que lembro não passa da mais pura verdade — pelo menos a minha verdade. E dentre as alternativas que a mãe das musas me oferece para aquilo de que (supostamente) não lembro, três se destacam:

1) isso nunca existiu;
2) não é importante;
3) não me convém.

Minha memória não é mesmo bacana?

Em tempo (e por livre-associação): ontem reli, depois de mais de uma década, o conto “Funes, o memorioso”, do (aos meus olhos) imprescindível “Ficções”, de Jorge Luis Borges. E além de confirmar o quanto Borges continua fantástico, me vi obrigado a agradecer aos céus (dos agnósticos, claro) por passar o suficientemente longe de qualquer sintoma obsessivo, que certamente se veria bastante aumentado pouco após a leitura do conto…

[Imagem: Jupiter e Mnemosyne (Marco Liberi, 1644-1691?)]

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8 respostas para Ode a Mnemosine

  1. Nat disse:

    Outro dia o André comentou que memória boa é indício de uma pessoa inteligente. Não discordo, mas mais inteligente é a pessoa que consegue ter memória seletiva, assim como você, mas que consegue apanhar a informação quando quer, claro. Às vezes a seleção do que é importante guardar é que prejudica as coisas.

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  2. Mariana disse:

    Pois é… Basta ser inteligente para ter memória seletiva? Gente, será que eu sou tããããão burrinha assim???? Rsrsrsrs… Eu quero uma memória seletiva!!!!!!!!!!!!!!!

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  3. Ricardo C. disse:

    Nat, um psicanalista diria que esse meu post não passa de uma racionalização, e das mais baratas. Pois direi que sendo de 1,99 ou não, pelo menos é mais divertida do que consumir-se em auto-flagelações, não é?

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  4. Ricardo C. disse:

    Mariana, troque “inteligência” por “habilidade”, vc estará sendo não só mais precisa quanto ao ponto em questão, como também mais justa e generosa com vc mesma, não é? 🙂

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  5. pingwyn disse:

    tens razao Ricardo, eu ate que me divirto com a “habilidade” de minha memoria…lembrar quando tem vontade, esquecer se assim lhe convier..e eu nem me preocupo com isso…

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  6. pingwyn disse:

    ahhh e quando faco um esforco imenso para lembrar de algo e nao cosigo, penso..eta dureza ficar velha..rsrsrsrs

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  7. Nat disse:

    Eu passo longe da memória seletiva. Minha memória eu considero fantástica, mas ela guarda de tudo. Eu sei todos os números de telefone que tive, do primeiro ao último. O primeiro tinha só seis números ainda, eu devia ser pequena na época. Me lembro do dia, mês e ano e da roupa que usava quando conheci todos os meus namorados.Coisas assim… inúteis!!!!

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  8. Pingback: Erasmo de Rotterdam é do meu time | Ágora com dazibao no meio

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