Livros

Devo confessar: até que gosto da Bíblia. Li algumas de suas passagens, e a forma mais prazerosa de leitura foi justamente quando a tratei como um romance épico, meio realismo mágico, com assassinatos, intrigas, inveja, traição e redenção, pontuado por milagres aqui e acolá.

Não li a Torá, queria saber de algum conhecedor na matéria se é possível adquirir uma do mesmo jeito que se faz em relação à Bíblia. Espero que seja bem diferente de simplesmente ler o Velho Testamento…

O Bhagavad-Gita também é bacana, mas não é de leitura tão agradável quanto a Bíblia. Talvez valha a pena começar pela versão filmada do Mahabharata — onde se encontra o Gita —, do Peter Brook, adaptada pelo brilhante Jean-Claude Carrièrre…

Tenho muito carinho pelo meu exemplar do Bardo Thödol (O Livro Tibetano dos Mortos). Um dia me dedicarei a esmiuçar os seus ensinamentos, pois como se dizia antigamente, cautela e canja de galinha não faz mal a ninguém…

Outro de que gosto é do Tao Te King. “El Tao que puede ser expresado no es el Tao absoluto”, diz lá na página 23 da velha edição que reabri cinqüenta e três segundos atrás, cinqüenta e seis, cinqüenta e nove… É, o que aquela primeira frase diz equivale mesmo a tentar parar o tempo, penso eu. (Ah, apesar de tratar-se de uma edição bilíngüe, aquela multidão de ideogramas chineses ao lado do texto em espanhol serve mais como um punhado de ilustrações do que qualquer outra coisa. E se por sacanagem do editor elas não passarem de um monte de palavras sem sentido, dará no mesmo para mim. Suponho que para o Lao Tse também, é improvável que ele apareça para reclamar.)

O I Ching que tenho foi traduzido pela italiana Elena Judica Cordiglia e não pelo alemão Richard Wilhelm (a versão brasileira é a deste último), por isso levo mais fé (?!?!) no que está na minha estante. Além disso, veio com três moedas bem bonitinhas para usar. Falta paciência para tentar fazer a sua leitura usando a técnica das varetas, é mais fácil e rápido usar as moedas mesmo.

Antigamente, na prateleira acima daquela onde estão esses clássicos de que falei, eu tinha um exemplar do DSM IV (Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais). Ele não está mais lá, pois levei para outro endereço. Em compensação, na prateleira onde estão os tais livros, acabei de ver, soltos sobre os demais, dois velhos exemplares do História da Loucura, do Foucault — o meu e o da minha mulher, que já tinha um antes de casarmos. Deve ser algum sinal.

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3 respostas para Livros

  1. Monsores, André disse:

    Ricardo,O Torá é bonito, mas repetitivo. Muito e incansavelmente repetitivo.Dois outros que mencionaste só tenho o Bhagavad-Gita numa edição lindissima que ganhei de uma ex. Confesso que só li pequenos trechos até hoje.

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  2. Ricardo C. disse:

    Então, André, aproveite que toquei no tema e veja o filme Mahabarata, do Peter Brook. Ah, e como falei em cinema, vc precisa ver filmes do Buñuel (o Jean-Claude Carrièrre trabalhou com ele), fora os antigos do Carlos Saura. Mas isso é assunto para o teu blog, não para o meu!

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  3. pingwyn disse:

    Ja fiz muita leitura do I Ching a muitos anos atraz, meus livros estao no Brasil. Mas tem um hexagrama que me lembro sempre..o numero 4.

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